quarta-feira, 7 de outubro de 2009
O Rio de Janeiro e seus desafios.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Destruição e arrogância.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Entrevista exclusiva com o Prof. Milton Xavier. [ANGRAD]
Entrevista exclusiva com o Prof. Milton Xavier.
12/05/2009 14:12
Por Jorge Baraúna - Assessor de Comunicação - ANGRAD
O Professor Milton Xavier, Mestre em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas e Professor da Universidade Gama Filho, concedeu entrevista exclusiva ao Assessor de Comunicação da ANGRAD. O interesse partiu através da leitura de seu artigo intitulado: O Ensino da Administração Pública. Nele o Professor Milton Xavier nos mostra os benefícios que a inclusão da disciplina Gestão Pública pode agregar ao Curso de Administração:
Leia a entrevista:
ANGRAD: Quais as diferenças entre a Adminstriação Pública e a Administração Privada?
A Administração pública do Estado não visa o lucro, objetivo primordial das empresas privadas; é sustentada integralmente pelos tributos arrecadados da sociedade; ao administrador público só é lícito fazer o determinado na lei específica, enquanto o privado pode fazer tudo o que não for contrário à legislação; admissão de pessoal mediante concurso público; demissão somente após conclusão de processo administrativo; aquisição de material e contrato para prestação de serviços, mediante licitação pública; a modificação da missão, ou de suas atribuições terá que seguir demorado caminho de se alterar a legislação específica; não sofre concorrência, portanto, não precisa fazer propaganda; e, na gestão estratégica, a administração pública tem potencial para modificar o ambiente externo, de modo a diminuir ameaças ou criar oportunidades. São essas a diferenças substantivas.
Temos também a administração pública não pertencente ao Estado, que é a das ONGs, do terceiro setor, ou organizações civis. Simplificadamente, situam-se no meio termo entre o estatal e o setor econômico privado.
ANGRAD: Que impacto, na sociedade brasileira, a médio e longo prazo poderíamos esperar a partir da difusão, entre os graduandos em Administração, do conhecimento daquelas diferenças e das peculiaridades da Administração Pública?
Esse conhecimento ajudaria a melhorar o relacionamento do cidadão-empresário com o governo, assim ele poderia contribuir criticamente para o aprimoramento da máquina administrativa estatal, em benefício de toda a sociedade, da qual são arrecadados, em tributos, 35 % do PIB. Uma administração pública mais eficaz, que conseguisse reduzir em 4% os gastos governamentais, geraria recursos suficientes para investimento em onze milhões de bolsas de estudo de R$ 4 000,00 ao ano. O governo brasileiro é uma das maiores organizações do mundo. Hoje, dos 194 países integrantes da ONU, apenas oito têm superfície superior a 2,8 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, a terça parte do território brasileiro: Rússia, Canadá, China, EUA, Brasil, Austrália, Argentina, e Índia. Dentre aqueles, só a China, Rússia, Índia e os Estados Unidos contam com uma população superior a 63 milhões de habitantes, um terço da nossa. Este monumental Estado exige uma administração de igual porte.
ANGRAD: Na prática, quais os benefícios que o conhecimento da Administração Pública pode trazer ao cidadão empresário?
Conhecer Administração Pública vai resultar, forçosamente, na identificação dos mecanismos que possibilitariam superar os grandes desafios da atualidade brasileira, e que tanto prejudicam o cidadão-empresário: desigualdade sócio-econômica, o desemprego, violência urbana, degradação do meio ambiente, e as deficiências dos serviços de educação e de saúde.
Considero relevantes as seguintes ferramentas que integram nosso sistema democrático: voto consciente; iniciativa popular de lei, plebiscito, referendo; imprensa responsável e livre; comportamento ético do cidadão; proteção à família, base da sociedade; ações de responsabilidade social de ONGs, trabalho social de escritores, artistas, cientistas, campeões do esporte, de cidadãos que fazem a diferença; e o ensino da administração pública nos cursos de graduação.
ANGRAD: Qual o balanço que o Sr. faz da experiência da Universidade Gama Filho, que incluiu a disciplina Gestão Pública no currículo do curso de Administração?
A disciplina, desde sua inclusão em 2006, superou as expectativas quanto ao interesse dos alunos. Em 40 horas-aula são abordadas e discutidas: as diferenças entre a administração privada e a pública; 14 macro-políticas públicas e suas interdependências; os artigos da ConstituiçãoFederal atinentes aos direitos do cidadão, à administração pública e aos Poderes Legislativo e Judiciário; as ferramentas para aprimoramento da administração pública; e a gestão municipal, esta sob forma de estudos de caso, O Prefeito administrador I, II e III.
O livro-texto é a Constituição Federal, utilizamos os artigos de jornais e revistas que abordam temas de interesse nacional, sob responsabilidade do Poder Executivo, especialmente quanto a elaboração e implementação das políticas públicas, sob o enfoque do Administrador, cuja missão é aplicar os recursos disponíveis com eficiência e eficácia. Assim, marcamos a diferença entre a Gestão Pública e as disciplinas Direito Administrativo e Direito Constitucional.
ANGRAD: Diante da atual crise econômica mundial, quais oportunidades o Sr. vislumbra para o jovem administrador de empresas?
Em nosso entendimento é a hora e a vez dos graduados em Administração, profissão reconhecida em 1965, que já recebe mais de 600 mil universitários, 15% do total. O administrador que se engaje, direta ou indiretamente, na atividade pública do Estado poderá alavancar, para a sociedade, significativos recursos humanos e materiais, disponíveis e ainda não aproveitados. Caso se dedique, com vontade, ao trabalho em alguma ONG de interesse social, os resultados positivos logo surgirão. No primeiro mundo, alguns países já criaram o cargo de gestor municipal para melhorar a eficiência na aplicação dos recursos da sociedade, enquanto o Prefeito cuida da política. Aqui, estamos dando os primeiros passos, mas é preciso que, nos concursos públicos, se abram mais oportunidades para Administradores.
Muito obrigado pela oportunidade de expor minhas idéias, que já completam dez anos.
Brasileiro vive de esperança!
Contato com o Prof. Milton Xavier, através do e-mail: mxcf@uol.com.br
www.angrad.org.br/novidades/entrevista
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Métodos de Ensino-Aprendizagem para o Desenvolvimento de Competências
Algumas metodologias, usadas separadas ou simultaneamente, são mencionadas na educação como mais adequadas ao desenvolvimento de competências. Entre estas citam-se: a metodologia de projetos, a construção de situações-problema e as atividades de pesquisa (PERRENOUD, 2000, 2001) (MENEGOLLA e SANT’ANNA, 2001) (MACEDO, 2002). Atividades pedagógicas que o uso da Web veio para re-configurar, criando a possibilidade do uso de vídeo, som, texto e voz em sala de aula, ou ambientes virtuais de ensino (FRIEDMAN, 2005).
O método de projetos, na prática educativa - orientado por um ou mais professores, colabora na socialização do conhecimento dos aprendizes e dos mesmos frente aos demais, no desenvolvimento de habilidades cognitivas e ao efetivo apoio ao aprendizado individual. O projeto, neste caso, se baseia no aprender fazendo, numa metodologia ativa (MENEGOLLA e SANT’ANNA, 2001). Conforme exposto, o “papel do professor no projeto é o de incentivador, orientador, auxiliar, enquanto o aluno torna-se o agente de sua própria aprendizagem” (MENEGOLLA e SANT’ANNA, 2001, p.106).
Desenvolver projetos e realizar pesquisas obteve uma nova referência quando estúdios como o Dream Works, ou dos jovens que criaram o Google – site de busca, usaram a Internet como plataforma e meio de criar seus projetos e possibilitar a pesquisa qualquer pessoa no planeta (FRIEDMAN, 2005). E instituições de ensino coreanas, chinesas, indianas e de outros países desenvolvidos ou não vem promovendo tal uso como ferramentas de apoio às suas atividades pedagógicas, principalmente para pesquisa e ação em projetos colaborativos (FRIEDMAN, 2005).
Outro método citado comumente como forma do desenvolvimento de competências e aprendizagem escolar é a criação ou construção de situações-problema (PERRENOUD, 2000, 2001) (MACEDO, 2002). Uma situação-problema é definida como um recorte de um domínio complexo cujo fator central para sua solução implique na mobilização de recursos, tomadas de decisão e ativação de esquemas (PERRENOUD, 1997, 2000 apud MACEDO, 2002). Macedo (2002) propõe tal método como alternativa ao esquema clássico de explicação-exercícios.
Para efetivar a formação e o desenvolvimento das competências por meio de situações-problema as mesmas devem se caracterizar como (PERRENOUD, 2000):
1. Organizadas em torno da resolução de um obstáculo previamente bem identificado;
2. Permita ao aluno formular efetivamente hipóteses e conjecturas em uma situação de caráter concreto;
3. Os alunos percebem a situação como um desafio no qual são capazes de investir e superar;
4. Inicialmente, os alunos não dispõem, individualmente, de todos os meios para encontrar a solução desejada;
5. A situação oferece uma resistência suficiente, levando a questionamentos e à elaboração de novas idéiais;
6. A atividade proposta opere em uma área de conhecimento, própria a internalização dos procedimentos e como desafio intelectual a ser resolvido;
7. O risco e a antecipação dos resultados estão presentes na atividade;
8. A situação acentua os debates sociocognitivos;
9. A validação da solução encontrada não é dada pelo professor, mas pela estruturação da própria situação;
10. O retorno reflexivo sobre as estratégias adotadas para a solução por parte do(s) grupo(s) é o momento de estabilizar procedimentos disponíveis para novas situações-problema.
Baseando-se em Macedo (2002) a relação entre competência e situação-problema ocorre porque o ensino por situações-problema evidencia três características: a) a tomada de decisão em meio à incerteza, a dificuldade, a ambivalência, a contradição e a dúvida em uma situação concreta; b) exige a mobilização, a orquestração de recursos cognitivos e afetivos; e c) saber agir, ativar esquemas de ação e de reflexão sobre uma situação específica, às vezes, pelo ordenamento , ou a reorganização, ou mesmo a superação deste esquemas de ação e a incorporação de novos.
A última forma aqui apresentada são as atividades de pesquisa. Como menciona Perrenoud (2000) na questão da profissionalização dos professores do ensino fundamental – mas de relevada importância no ensino médio profissionalizante e no nível superior, envolver os alunos em atividades de pesquisa significa envolvê-los em atividades de caráter intelectual, emocional e relacional. É levar os alunos a desenvolver por si próprios a teoria de uma atividade que não se esgota com seu fim, pois leva a novos questionamentos, novas hipóteses e novas reflexões. A pesquisa se constrói não só pela experiência, mas pelas mais variadas situações em que o aluno se depara junto com aquele que lhe orienta.
A utilização de métodos que efetivamente desenvolvam as competências nos vários setores da educação profissional de nível superior pode ocorrer por meio de ambientes interativos de aprendizagem mediados por computador. Ambientes que vem reforçar a relação necessária entre recursos do meios e os participantes em sua interação. Como enfatiza Macedo (2002), a cooperação sem restrições de espaço e tempo que os ambientes de aprendizagem e trabalho colaborativo permitem, possibilitam o “(...) desenvolvimento da análise crítica e da aprendizagem de conceitos e estratégias (...)” (p.79). Possibilitando aos alunos exporem mais facilmente as idéias e ao professor acompanhar e avaliar com base em informações disponíveis em um sistema.
Tais métodos e modelos com a Web e os softwares de colaboração por meio da mesma obtiveram novas possibilidades. A navegação na Internet não permite apenas obter novas informações, mas debatê-las, simular efeitos, pesquisar bases mais amplas, trabalhar em equipes, trocar imagens e reformular projetos. Como indicado por Friedman (2005) o mundo tornou-se mais plano. E isto significa que tanto o trabalho, quanto a pesquisa e até mesmo as atividades de ensino-aprendizagem podem se realizar em ambientes virtuais ou móveis. Tendo por base o computador e redes com ou sem fio as possibilidades ampliaram-se.
FRIEDMAN, Thomas L. O mundo é plano: uma breve história do século XXI. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
GANDIN, Danilo. Planejamento: como prática educativa. São Paulo: Loyola, 2002.
GARAY, Ângela. “Gestão”. In: Trabalho e tecnologia: dicionário crítico. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
GATTI, B.A. Habilidades cognitivas e competêcias sociais. Laboratório Latinoamericano de Evalución de Calidad de la Educacion. UNESCO, 1997.
HAMEL, Gary; PRAHALAD, C.K. Competindo pelo futuro: estratégias inovadoras para obter o controle do seu setor e criar os mercados de amanhã. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
LARANGEIRA, Sonia M. G. “Fordismo e Pós-Fordismo”. In: Trabalho e tecnologia. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
LASTRES, H. M. M; LEGEY, Liz-rejane I. e ALBAGLI, Sarita. “Indicadores da economia e sociedade da informação, conhecimento e aprendizado”. In: Indicadores de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Campinas, Unicamp, 2003.
LE BOTERF, Guy. Desenvolvendo a competência dos profissionais. 3ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.
LIEDKE, Elida Riubini. “Trabalho”. In: Trabalho e tecnologia: dicionário crítico. Org: Cattani, A. David. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
MACEDO, Lino de. Situação-problema: forma e recurso de avaliação, desenvolvimento de competências e aprendizagem escolar. In: As competências para ensinar no século XXI: a formação de professores e o desafio da avaliação. Porto alegre: Artmed Editora, 2002.
PERRENOUD, Philippe. 10 novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.
_____________. Ensinar: agir na urgência, decidir na incerteza. Porto Alegre: Artmed, 2001.
domingo, 20 de setembro de 2009
Bons livros, mestres fantásticos.
- Richard dawkins - 'O relojoeiro cego', 'O gene egoísta', etc.;
- Steven Pinker - 'A tabula rasa' ou 'Como a mente funciona',
- Malcom Gladwell - 'Fora de série: outliers';
- James Surowieck - 'A sabedoria das multidões';
- António Damásio - 'O Erro de Descartes';
- Domenico de Masi - 'Criatividade e Grupos Criativos';
- Chris Anderson - 'A cauda longa'.
A lista não é exaustiva, existem cada vez mais bons livros sobre assuntos que vão da estatística a química, da biologia evolutiva aos sistemas complexos. E cada autor, com suas particularidades e modos de observação ajudam-nos no caminho do autodescobrimento e do conhecimento científico. E mais do que bons livros [excelentes, na minha opinião] são reflexões lúcidas e interessantes de nosso tempo, de nossa cultura e de nossos comportamentos.
Por tudo isso, compre-os sem falta. Leias-os e discuta com seus amigos e amigas os argumentos dos mesmos, suas limitações e suas possibilidades. Procure, se possível, partilhar um pouco da sabedoria humana no que a mesma possui de melhor. E viver e presenciar a inteligência humana a serviço da ciência e da tecnologia, bem como da razão a serviço da humanidade.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
De modo diferente...
- devolva os dinossauros ao planeta Terra -seria bem interessante o resultado;
- ao invés de salvar esta ou aquela vida, seja inteligente e evite o acidente;
- limpe as águas dos oceanos e mares - não pela espécie humana, mas porque milhares de espécies irão se extinguir da linha da vida antes mesmo do ser humano conhecê-las;
- para de nos culpar pelos erros de nossos ancestrais;
- assuma que se o conhecimento é o pecado do mundo, então você é realmente um ser estúpido e ignorante;
- e, me responda diretamente, não envie assistentes sedentos de sangue para altar.
Mas como quem lê são apenas humanos, perdoe-me por meu desabafo. porque acho enfadonho, em pleno século XXI, lembrar que neste mundo há pessoas que não tem fé e não se curvam diante de forças invisíveis e que, por raras exceções não cometem crimes hediondos, não são pedófilos, não se entregam a orgias ou se deixam subornar nos sinais ou órgãos públicos.
Há gente honesta e agradável entre os que tem fé, e entre os que não possuem nenhum deus ou entidade para temer. Há alegria e tristeza, sucessos e fracassos, sol e chuva dos dois lados deste tema. E, por si só, isto me faz lembrar que opiniões e valores diferentes não são necessariamente bons ou maus, apenas em um contexto determinado podemos - com dificuldade e cheios de ressalvas - julgar a pertinência do que consideramos certo e errado.
E, se acaso, eu estiver errado, perdoem-me os deuses...mas ainda possuo o direito de pensar questões deste tipo e não ser excomungado ou banido por querer um mundo diferente.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Liberdade.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Sugestões à crise de uma pessoa comum.
- reduzam os impostos diretos e indiretos a metade [no caso brasileiro IPI, ICMS, contribuições sociais etc.] de aparelhos e da mão-de-obra ocupados diretamente com a produção e comercialização de painéis solares, equipamentos para o uso da energia eólica e os equipamentos para pesquisas de energias 'alternativas' aos combustiveís fósseis;
- aumentem os impostos e multas para a poluição na ordem de 50,0 % ou mais, além de simplificar o processo jurídico de punição as fontes poluidoras públicas e/ou privadas;
- aumentem as bolsas de estudo e financiamento às pesquisas tecnológicas e científicas, permitindo que os beneficiados possuam outras fontes de rendas complementares sem que tenham que apelar a ilegalidade ou paralisar pesquisas promissoras por falta de renda própria;
- e, se for possível, reduzam as exigências legais para abrir empresas e a documentação para fechá-las ou vendê-las. Permita o empreendedorismo e puna com mais severidade e agilidade os crimes de estelionato e fraudes. Muito mais severidade!
E antes de me acusarem de ingenuidade, façam e monitorem os resultados em pequena escala em locais específicos como distritos ou cidades. Se os fatos, não os discursos, se mostrarem contrários a tais idéias, então me darei por vencido. Porém, e se não for assim? E se soluções simples e pragmáticas conseguirem reverter a situação, estarão os mesmos dispostos a AMPLIAR A BASE? Senhoras e senhores, façam suas apostas.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Estratégia e mudança.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Incentivos financeiros.
Os incentivos financeiros possuem a premissa de que quanto maior o retorno financeiro, maior o desempenho dos profissionais. Mas tal premissa se equivoca em três situações:
- em primeiro lugar, mesmo com seu máximo esforço, um profissional de uma atividade complexa que não possua os recursos necessários [técnicas, métodos e conhecimentos da tarefa] não pode no curto prazo alavancar seu desempenho de forma consistente e duradoura- é preciso tempo para aprender uma tarefa com maestria [dados e pesquisas indicam que das artes à arquitetura, da engenharia à música, da cirurgia médica ao desenvolvimento de softwares; as profissões e especialidades complexas e técnicas, os profissionais levam cerca de 10 anos para atingir a excelência];
- em segundo lugar, se a infra-estrutura não estiver dimensionada adequadamente, estes incentivos aumentarão a frustração e o impacto será reduzido na produtividade do mesmo;
- e, por fim, existem várias evidências, de que tais incentivos somente possuem efeitos positivos em tarefas simples e individualizadas. Se a tarefa exigir colaboração e cooperação entre as partes, bem como houver várias variáveis extrínsecas; então os incentivos financeiros podem sugerir comportamentos predatórios e ilegais - o tipo de mensagem que deve ser evitado em organizações que procuram respeito a marca e se voltam ao longo prazo. Este tipo de incidente está fartamente documentado na área de vendas e nos recentes casos de fraudes em grandes companhias onde a alta direção passou a ter na compra de opções [participação nos retornos das ações] um incentivo para 'alterar' resultados indesejados.
Isto não torna os incentivos financeiros um mau negócio. apenas é preciso avaliar cada caso com cuidado, analisar que premissas são estabelecidas e quais mensagens são passadas na sua adoção. Outros benefícios como extensão aos familiares dos planos de saúde, creches e educação parcialmente ou totalmente pagas pela empresa, políticas de 'não demissão' por eventuais ventos de mercado; entre outras, são utilizadas em empresas como a Toyota, IDEO e Southwest Airlines pelo mundo com excelentes resultados na produtividade e qualidade, para não mencionar a rentabilidade. E, como já disse, nem nestas empresas, nem nas demais os incentivos financeiros são proibidos, apenas são usados com perspicácia e cuidado para não atrair o tipo errado de pessoas para as mesmas, ou incentivar práticas indesejáveis.