quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Rio de Janeiro e seus desafios.

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As Olímpiadas de 2016 no Rio de Janeiro e a Copa do Mundo de 2014, que parte também será realizada na cidade, são os assuntos da moda nos jornais e no cotidiano de políticos, comentaristas esportivos e jornalistas de todo o tipo. Como morador da cidade comemoro o número e a qualidade dos investimentos públicos e privados que tais eventos irão trazer, além de uma melhor observação das questões ambientais e sanitárias - pontos que a FIFA e o COI [Comitê Olímpico Internacional] são unânimes em defender. Entretanto, não há de se esquecer que os eventos exigirão mão de obra mais qualificada, melhor infraestrutura portuária e rodoviária, além de questões referentes ao ordenamento urbano e ao comércio melhor estruturado.
Os cursos de tecnologia nas universidades - e demais instituições de ensino superior - são uma realidade e podem atender de forma rápida e salutar as novas demandas das áreas portuária, de transportes, de turismo e hotelaria; bem como serviços financeiros e a movimentação de pessoas e a construção ou coordenação de materiais, equipamentos e informações. Os cursos tradicionais não são excluídos desta lógica, mas o gap entre a formação e a efetiva entrada no mercado de trabalho favorece aos cursos superiores de tecnologia nos momentos anteriores e posteriores [imediatos] aos eventos. Isto, é claro, se a 'velha dinâmica' de bacharelados e tecnólogos se voltar ao profissionalismo, não aos lobbies ou aos preconceitos ultrapassados disfarçados de ideias educacionais.
O que define um profissional é sua capacidade de responder ao mercado de forma efetiva e rápida. A experiência do aluno, nos curso superiores de tecnologia, é uma marca presente desde as primeiras experiências no gênero no Rio de Janeiro. Alguns alunos, de forma inteligente e visível, mostram vocação e habilidades para a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias. E, se não fosse por empecilhos burocráticos e editais que privilegiam os bacharéis, existiriam mais tecnólogos na área de pesquisa. Por isso, sem medo ou receios outros, algumas instituições e profissionais já entenderam o recado e não se arrependem de contratar e utilizar este capital intelectual necessário a um país que deseja e aspira a ser uma potência tecnológica.
O que precisa ser realizado na cidade não dependerá deste ou daquele político; ou desta ou daquela entidade. Antes, será o resultado do trabalho técnico e especializado de milhares de pessoas na construção civil, na hotelaria, nas empresas de tecnologia da informação, nos bancos e instituições financeiras, etc. Logo, precisamos formar e desenvolver esta mão de obra com rapidez e sem cair nas velhas armadilhas das ideologias políticas ou morais. Agora é tempo de começar o trabalho, de aprender línguas, de saber agir em reuniões, de desenvolver competências técnicas e sociais para e no trabalho.
Deste modo, o desafio da cidade do Rio de Janeiro, bem como o desafio brasileiro, é não ter vergonha do trabalho e da dedicação. Nem mesmo da recompensa monetária por uma atividade bem realizada e da necessidade contemporânea de desenvolvimento profissional constante. Nossa cidade, seus cidadãos e aqueles que a visitam a trabalho ou por lazer, devem preservar a alegria carioca com a responsabilidade de manter uma cidade limpa, bem organizada e de convívio pacífico entre todas as classes sociais. Se um serviço público não funciona, de pouco irá adiantar depredá-lo ou queimá-lo [prática infeliz ainda existente]. E os bares podem ser frequentados após o trabalho e a escola para comemorar conquistas e estreitar laços de amizade. A violência e os gritos agressivos não são, definitivamente, o que entendo por espírito carioca.
Se você é um carioca como eu, ou tem este 'espírito carioca', então cabe a você fazer a sua parte. Trabalhe mais, estude mais. Aprenda novas línguas, porque é divertido conversar com alguém que vem de longe e está apenas de passagem; ou simplemeste em um mundo globalizado, esta cidade é um elo de negócios e oportunidades. Se possivel, abra um negócio. Desenvolva e utilize máquinas e equipamentos para melhorar o atendimento e satisfazer as necessidades das pessoas, porém jamais esqueça que o humano é o elo fundamental dentro e fora do trabalho. E sorria..., ame esta cidade não só em palavras, mas em atos e atitudes. Ame-a por sua 'vocação' para ser ecologicamente eficiente e maravilhosamente bela em pessoas e ideias.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Destruição e arrogância.

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Apesar das evidências visíveis da questão ambiental e do movimento pelo mundo sobre a mesma, ainda assim a maioria das pessoas na cidade do Rio de Janeiro é indiferente, ou até mesmo, é contrária a uma postura mais sadia com os ecossistemas. Nos pontos de ônibus - próximo às lixeiras municipais - fumantes ou outros cidadãos jogam restos de cigarros e embalagens no chão. Nos transportes coletivos, pichações, mp3's em alto volume [poluição sonora] e a mania de jogar o resto de alimentos e outros tipos de lixo pela janela permanecem. Mas o mais irritante e absurdo é a destruição de árvores e a prisão de animais como pássaros e ouros pequenos seres vivos para recreação de 'egoístas de carterinha'.

A foto de setembro de 2009 é uma denúncia do que acontece, com cada vez mais frequência na Taquara [como exemplo] em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro. Na rua Januário Barbosa, esquina com a Avenida dos Mananciais, mais uma árvora é derrubada [ou podada aré só sobrar o tronco, quando em seguida é geralmente queimada] por pessoas querendo 'melhorar' a sua calçada. Na mesma rua, na esquina oposta, três árvores foram destruídas ou reinventadas desta forma. Tais iniciativas não são a exceção. E você pode constatar que a Fundação Parques e Jardins não se encontra por perto, quiçá deve ter sido comunicada ou solicitada para retirar alguma 'árvore morta' - bem, agora elas já morreram.
Mais do que uma denúncia faço um alerta. As chuvas de Santa Catarina, os tufões do Atântico Sul, as epidemias de dengue, e similares, não são culpa de um poder público ineficiente. Mostram-se, antes de tudo, culpa de uma sociedade que no discurso se preocupa com a natureza, contudo sua prática está em imagens como esta. O preço serão as 'enchentes' cada vez maiores em lugares incomuns, o deslizamento de terra em comunidades e nas mansões em encostas cujas árvores são meras lembranças, além das mudanças bruscas de temperatura e clima - mais e mais intensos.
No flme 'O dia em que a Terra parou" [versão atual] e na também na recente refilmagem de a "Guerra dos Mundos', o tema entre a luta pela educação ou a catrástrofe surge de forma contudente. Cabe a nossa espécie, nos filmes e na vida cotidiana, aprender por meio dos seus erros, ou sucumbir diante dos eventos - de sua própria ignorância. Mas, diferente dos filmes, não há heróis ou sorte o bastante para nos salvar no último instante de nossas fraquezas de conhecimento e do uso indevido de tecnologias que deviam nos proporcionar mais bem estar.
Sem perplexidade testemunho as tragédias naturais como o resultado inevitável do pouco conhecimento, ou seria reconhecimento, de nossa espécie como apenas mais uma na árvore da vida. Um ramo interessante e que de forma fortuita ocupa um nicho nos diversos ecossistemas. Embora tenha se advogado o direito de exterminar e destruir tudo em nome de 'empregos e renda' - vide o pré-sal ou as usinas termoelétricas que já jogaram para o esgoto a discussão de formas economicamente viáveis como o uso da energia solar ou eólica no abastecimento elétrico em cidades pelo Brasil; bem como o uso efetivo de biodiesel ou outras biomassas em veículos[ 10 ou 20,0 % é uma brincadeira de mal gosto]. Na verdade, o argumento é sempre o mesmo: [...] os outros já destruíram suas florestas blá, blá, blá...; ou nós somos o que mais usamos biomassa, etc.
A questão não é em que lugar estamos em relação aos outros. E sim se iremos optar pela educação tecnológica, ambiental e social de forma a viver de forma salutar e eficiente em nossas cidades. Se iremos evitar as inundações com inteligência e racionalidade. Se seremos capazes de nos locomover e aquecer, ou mesmo resfriar com o uso de tecnologias de pouco impacto, preservando um saudável equilíbrio entre o ser humano e as demais espécies do planeta - e na verdade, para garantir a própria qualidade de vida de nossa própria espécie.
Não defendo este ou aquele partido político. Não reinvidico a preservação ambiental em detrimento das pessoas. Luto e falo em nome daqueles que irão sofrer as consequências de nossa miopia ambiental e tecnológica. Daqueles que irão ficar à mercê de hospitais públicos lotados em epidemias que são resultado direto de nosso desconhecimento de bioquímica, da preservação dos predadores de mosquitos e roedores -pássaros, morcegos e sapos no primeiro caso; aves de rapina, cobras, etc. no segundo. Em nome da sombra que as árvores podadas não proporcionam mais e das enchentes que rios entupidos de lixos das ruas e da terra que os cobriram. Falo enquanto estou vivo, e a natureza, indiferente a nossa arrogante pretensão de 'reis do mundo animal' não nos coloca em nosso devido lugar, por bem ou por mal.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Entrevista exclusiva com o Prof. Milton Xavier. [ANGRAD]

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A entrevista abaixo me foi passada pelo próprio colega de profissão, o Prof. Milton Xavier. Creio, que de forma independente de minhas posições favoráveis ao setor privado, a Web é o meio eficiente e eficaz para democraticamente apresentarmos opiniões e críticas aos modelos de gestão.
Deste modo, com grande interesse e respeito coloco esta entrevista para eventuais leitores. Espero que apreciem esta justa reflexão de um defensor do setor público no Brasil.
Prof. Luciano Rodrigues Pinto.

Entrevista exclusiva com o Prof. Milton Xavier.
12/05/2009 14:12
Por Jorge Baraúna - Assessor de Comunicação - ANGRAD
O Professor Milton Xavier, Mestre em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas e Professor da Universidade Gama Filho, concedeu entrevista exclusiva ao Assessor de Comunicação da ANGRAD. O interesse partiu através da leitura de seu artigo intitulado: O Ensino da Administração Pública. Nele o Professor Milton Xavier nos mostra os benefícios que a inclusão da disciplina Gestão Pública pode agregar ao Curso de Administração:
Leia a entrevista:
ANGRAD: Quais as diferenças entre a Adminstriação Pública e a Administração Privada?
A Administração pública do Estado não visa o lucro, objetivo primordial das empresas privadas; é sustentada integralmente pelos tributos arrecadados da sociedade; ao administrador público só é lícito fazer o determinado na lei específica, enquanto o privado pode fazer tudo o que não for contrário à legislação; admissão de pessoal mediante concurso público; demissão somente após conclusão de processo administrativo; aquisição de material e contrato para prestação de serviços, mediante licitação pública; a modificação da missão, ou de suas atribuições terá que seguir demorado caminho de se alterar a legislação específica; não sofre concorrência, portanto, não precisa fazer propaganda; e, na gestão estratégica, a administração pública tem potencial para modificar o ambiente externo, de modo a diminuir ameaças ou criar oportunidades. São essas a diferenças substantivas.
Temos também a administração pública não pertencente ao Estado, que é a das ONGs, do terceiro setor, ou organizações civis. Simplificadamente, situam-se no meio termo entre o estatal e o setor econômico privado.
ANGRAD: Que impacto, na sociedade brasileira, a médio e longo prazo poderíamos esperar a partir da difusão, entre os graduandos em Administração, do conhecimento daquelas diferenças e das peculiaridades da Administração Pública?
Esse conhecimento ajudaria a melhorar o relacionamento do cidadão-empresário com o governo, assim ele poderia contribuir criticamente para o aprimoramento da máquina administrativa estatal, em benefício de toda a sociedade, da qual são arrecadados, em tributos, 35 % do PIB. Uma administração pública mais eficaz, que conseguisse reduzir em 4% os gastos governamentais, geraria recursos suficientes para investimento em onze milhões de bolsas de estudo de R$ 4 000,00 ao ano. O governo brasileiro é uma das maiores organizações do mundo. Hoje, dos 194 países integrantes da ONU, apenas oito têm superfície superior a 2,8 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, a terça parte do território brasileiro: Rússia, Canadá, China, EUA, Brasil, Austrália, Argentina, e Índia. Dentre aqueles, só a China, Rússia, Índia e os Estados Unidos contam com uma população superior a 63 milhões de habitantes, um terço da nossa. Este monumental Estado exige uma administração de igual porte.
ANGRAD: Na prática, quais os benefícios que o conhecimento da Administração Pública pode trazer ao cidadão empresário?
Conhecer Administração Pública vai resultar, forçosamente, na identificação dos mecanismos que possibilitariam superar os grandes desafios da atualidade brasileira, e que tanto prejudicam o cidadão-empresário: desigualdade sócio-econômica, o desemprego, violência urbana, degradação do meio ambiente, e as deficiências dos serviços de educação e de saúde.
Considero relevantes as seguintes ferramentas que integram nosso sistema democrático: voto consciente; iniciativa popular de lei, plebiscito, referendo; imprensa responsável e livre; comportamento ético do cidadão; proteção à família, base da sociedade; ações de responsabilidade social de ONGs, trabalho social de escritores, artistas, cientistas, campeões do esporte, de cidadãos que fazem a diferença; e o ensino da administração pública nos cursos de graduação.
ANGRAD: Qual o balanço que o Sr. faz da experiência da Universidade Gama Filho, que incluiu a disciplina Gestão Pública no currículo do curso de Administração?
A disciplina, desde sua inclusão em 2006, superou as expectativas quanto ao interesse dos alunos. Em 40 horas-aula são abordadas e discutidas: as diferenças entre a administração privada e a pública; 14 macro-políticas públicas e suas interdependências; os artigos da ConstituiçãoFederal atinentes aos direitos do cidadão, à administração pública e aos Poderes Legislativo e Judiciário; as ferramentas para aprimoramento da administração pública; e a gestão municipal, esta sob forma de estudos de caso, O Prefeito administrador I, II e III.
O livro-texto é a Constituição Federal, utilizamos os artigos de jornais e revistas que abordam temas de interesse nacional, sob responsabilidade do Poder Executivo, especialmente quanto a elaboração e implementação das políticas públicas, sob o enfoque do Administrador, cuja missão é aplicar os recursos disponíveis com eficiência e eficácia. Assim, marcamos a diferença entre a Gestão Pública e as disciplinas Direito Administrativo e Direito Constitucional.
ANGRAD: Diante da atual crise econômica mundial, quais oportunidades o Sr. vislumbra para o jovem administrador de empresas?
Em nosso entendimento é a hora e a vez dos graduados em Administração, profissão reconhecida em 1965, que já recebe mais de 600 mil universitários, 15% do total. O administrador que se engaje, direta ou indiretamente, na atividade pública do Estado poderá alavancar, para a sociedade, significativos recursos humanos e materiais, disponíveis e ainda não aproveitados. Caso se dedique, com vontade, ao trabalho em alguma ONG de interesse social, os resultados positivos logo surgirão. No primeiro mundo, alguns países já criaram o cargo de gestor municipal para melhorar a eficiência na aplicação dos recursos da sociedade, enquanto o Prefeito cuida da política. Aqui, estamos dando os primeiros passos, mas é preciso que, nos concursos públicos, se abram mais oportunidades para Administradores.
Muito obrigado pela oportunidade de expor minhas idéias, que já completam dez anos.
Brasileiro vive de esperança!
Contato com o Prof. Milton Xavier, através do e-mail: mxcf@uol.com.br
www.angrad.org.br/novidades/entrevista

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Métodos de Ensino-Aprendizagem para o Desenvolvimento de Competências

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Algumas metodologias, usadas separadas ou simultaneamente, são mencionadas na educação como mais adequadas ao desenvolvimento de competências. Entre estas citam-se: a metodologia de projetos, a construção de situações-problema e as atividades de pesquisa (PERRENOUD, 2000, 2001) (MENEGOLLA e SANT’ANNA, 2001) (MACEDO, 2002). Atividades pedagógicas que o uso da Web veio para re-configurar, criando a possibilidade do uso de vídeo, som, texto e voz em sala de aula, ou ambientes virtuais de ensino (FRIEDMAN, 2005).
O método de projetos, na prática educativa - orientado por um ou mais professores, colabora na socialização do conhecimento dos aprendizes e dos mesmos frente aos demais, no desenvolvimento de habilidades cognitivas e ao efetivo apoio ao aprendizado individual. O projeto, neste caso, se baseia no aprender fazendo, numa metodologia ativa (MENEGOLLA e SANT’ANNA, 2001). Conforme exposto, o “papel do professor no projeto é o de incentivador, orientador, auxiliar, enquanto o aluno torna-se o agente de sua própria aprendizagem” (MENEGOLLA e SANT’ANNA, 2001, p.106).
Desenvolver projetos e realizar pesquisas obteve uma nova referência quando estúdios como o Dream Works, ou dos jovens que criaram o Google – site de busca, usaram a Internet como plataforma e meio de criar seus projetos e possibilitar a pesquisa qualquer pessoa no planeta (FRIEDMAN, 2005). E instituições de ensino coreanas, chinesas, indianas e de outros países desenvolvidos ou não vem promovendo tal uso como ferramentas de apoio às suas atividades pedagógicas, principalmente para pesquisa e ação em projetos colaborativos (FRIEDMAN, 2005).
Outro método citado comumente como forma do desenvolvimento de competências e aprendizagem escolar é a criação ou construção de situações-problema (PERRENOUD, 2000, 2001) (MACEDO, 2002). Uma situação-problema é definida como um recorte de um domínio complexo cujo fator central para sua solução implique na mobilização de recursos, tomadas de decisão e ativação de esquemas (PERRENOUD, 1997, 2000 apud MACEDO, 2002). Macedo (2002) propõe tal método como alternativa ao esquema clássico de explicação-exercícios.
Para efetivar a formação e o desenvolvimento das competências por meio de situações-problema as mesmas devem se caracterizar como (PERRENOUD, 2000):
1. Organizadas em torno da resolução de um obstáculo previamente bem identificado;
2. Permita ao aluno formular efetivamente hipóteses e conjecturas em uma situação de caráter concreto;
3. Os alunos percebem a situação como um desafio no qual são capazes de investir e superar;
4. Inicialmente, os alunos não dispõem, individualmente, de todos os meios para encontrar a solução desejada;
5. A situação oferece uma resistência suficiente, levando a questionamentos e à elaboração de novas idéiais;
6. A atividade proposta opere em uma área de conhecimento, própria a internalização dos procedimentos e como desafio intelectual a ser resolvido;
7. O risco e a antecipação dos resultados estão presentes na atividade;
8. A situação acentua os debates sociocognitivos;
9. A validação da solução encontrada não é dada pelo professor, mas pela estruturação da própria situação;
10. O retorno reflexivo sobre as estratégias adotadas para a solução por parte do(s) grupo(s) é o momento de estabilizar procedimentos disponíveis para novas situações-problema.

Baseando-se em Macedo (2002) a relação entre competência e situação-problema ocorre porque o ensino por situações-problema evidencia três características: a) a tomada de decisão em meio à incerteza, a dificuldade, a ambivalência, a contradição e a dúvida em uma situação concreta; b) exige a mobilização, a orquestração de recursos cognitivos e afetivos; e c) saber agir, ativar esquemas de ação e de reflexão sobre uma situação específica, às vezes, pelo ordenamento , ou a reorganização, ou mesmo a superação deste esquemas de ação e a incorporação de novos.
A última forma aqui apresentada são as atividades de pesquisa. Como menciona Perrenoud (2000) na questão da profissionalização dos professores do ensino fundamental – mas de relevada importância no ensino médio profissionalizante e no nível superior, envolver os alunos em atividades de pesquisa significa envolvê-los em atividades de caráter intelectual, emocional e relacional. É levar os alunos a desenvolver por si próprios a teoria de uma atividade que não se esgota com seu fim, pois leva a novos questionamentos, novas hipóteses e novas reflexões. A pesquisa se constrói não só pela experiência, mas pelas mais variadas situações em que o aluno se depara junto com aquele que lhe orienta.
A utilização de métodos que efetivamente desenvolvam as competências nos vários setores da educação profissional de nível superior pode ocorrer por meio de ambientes interativos de aprendizagem mediados por computador. Ambientes que vem reforçar a relação necessária entre recursos do meios e os participantes em sua interação. Como enfatiza Macedo (2002), a cooperação sem restrições de espaço e tempo que os ambientes de aprendizagem e trabalho colaborativo permitem, possibilitam o “(...) desenvolvimento da análise crítica e da aprendizagem de conceitos e estratégias (...)” (p.79). Possibilitando aos alunos exporem mais facilmente as idéias e ao professor acompanhar e avaliar com base em informações disponíveis em um sistema.
Tais métodos e modelos com a Web e os softwares de colaboração por meio da mesma obtiveram novas possibilidades. A navegação na Internet não permite apenas obter novas informações, mas debatê-las, simular efeitos, pesquisar bases mais amplas, trabalhar em equipes, trocar imagens e reformular projetos. Como indicado por Friedman (2005) o mundo tornou-se mais plano. E isto significa que tanto o trabalho, quanto a pesquisa e até mesmo as atividades de ensino-aprendizagem podem se realizar em ambientes virtuais ou móveis. Tendo por base o computador e redes com ou sem fio as possibilidades ampliaram-se.
Retirado de:
Pinto, Luciano Rodrigues. O DESENVOLVIMENTO DAS COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS EM GRUPOS DE TRABALHO COLABORATIVO: UM ESTUDO DE CASO BASEADO NA WEB.
CEFET-RJ. Dissertação de Mestrado em Tecnologia, 2006.
Para saber mais.
FLEURY Afonso e FLEURY, Maria T. L. Construindo o conceito de competência. 183-196, EDIÇÃO ESPECIAL. RAC, 2001.
FRIEDMAN, Thomas L. O mundo é plano: uma breve história do século XXI. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
GANDIN, Danilo. Planejamento: como prática educativa. São Paulo: Loyola, 2002.
GARAY, Ângela. “Gestão”. In: Trabalho e tecnologia: dicionário crítico. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
GATTI, B.A. Habilidades cognitivas e competêcias sociais. Laboratório Latinoamericano de Evalución de Calidad de la Educacion. UNESCO, 1997.
HAMEL, Gary; PRAHALAD, C.K. Competindo pelo futuro: estratégias inovadoras para obter o controle do seu setor e criar os mercados de amanhã. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
LARANGEIRA, Sonia M. G. “Fordismo e Pós-Fordismo”. In: Trabalho e tecnologia. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
LASTRES, H. M. M; LEGEY, Liz-rejane I. e ALBAGLI, Sarita. “Indicadores da economia e sociedade da informação, conhecimento e aprendizado”. In: Indicadores de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Campinas, Unicamp, 2003.
LE BOTERF, Guy. Desenvolvendo a competência dos profissionais. 3ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.
LIEDKE, Elida Riubini. “Trabalho”. In: Trabalho e tecnologia: dicionário crítico. Org: Cattani, A. David. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
MACEDO, Lino de. Situação-problema: forma e recurso de avaliação, desenvolvimento de competências e aprendizagem escolar. In: As competências para ensinar no século XXI: a formação de professores e o desafio da avaliação. Porto alegre: Artmed Editora, 2002.
PERRENOUD, Philippe. 10 novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.
_____________. Ensinar: agir na urgência, decidir na incerteza. Porto Alegre: Artmed, 2001.
_____________. “A formação dos professores no século XXI”. In: As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002

domingo, 20 de setembro de 2009

Bons livros, mestres fantásticos.

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Existem livros que mudam nossa forma de perceber o mundo. Porém, não por sua retórica ou argumentos, e sim pelos fatos que apresentam de forma organizada e coerente, pelos insights inteligentes e pelos experimentos e modelos bem descritos que nos fazem confrontar velhos conceitos e dogmas. Um bom livro, nesse aspecto, torna-se fundamental para reformular nossos conceitos à luz dos fatos e dos 'testes da realidade', levando-nos a refletir e melhorar ideias e valores.
Alguns autores produzem notavelmente mais bons livros do que outros. De maneira rápida cito:
  • Richard dawkins - 'O relojoeiro cego', 'O gene egoísta', etc.;
  • Steven Pinker - 'A tabula rasa' ou 'Como a mente funciona',
  • Malcom Gladwell - 'Fora de série: outliers';
  • James Surowieck - 'A sabedoria das multidões';
  • António Damásio - 'O Erro de Descartes';
  • Domenico de Masi - 'Criatividade e Grupos Criativos';
  • Chris Anderson - 'A cauda longa'.

A lista não é exaustiva, existem cada vez mais bons livros sobre assuntos que vão da estatística a química, da biologia evolutiva aos sistemas complexos. E cada autor, com suas particularidades e modos de observação ajudam-nos no caminho do autodescobrimento e do conhecimento científico. E mais do que bons livros [excelentes, na minha opinião] são reflexões lúcidas e interessantes de nosso tempo, de nossa cultura e de nossos comportamentos.

Por tudo isso, compre-os sem falta. Leias-os e discuta com seus amigos e amigas os argumentos dos mesmos, suas limitações e suas possibilidades. Procure, se possível, partilhar um pouco da sabedoria humana no que a mesma possui de melhor. E viver e presenciar a inteligência humana a serviço da ciência e da tecnologia, bem como da razão a serviço da humanidade.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

De modo diferente...

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Quando olho para trás vejo o quanto o contexto e a fortuna [o mero acaso] mudaram minha vida de maneiras inimagináveis. Em, geral, de forma melhor ou mais agradável do que poderia ter sido imaginado. E logo, alguém dirá que o universo ou forças cósmicas onipotentes me guiaram até aqui. Como se tais forças não tenham mais o que fazer além de guiar pessoas por caminhos como a guerra civil, a desordem, as decepções e a morte que assolam o mundo a milhares de anos - em todas as culturas, religiões, classes sociais ou povos. Como se eu tivesse a 'cara de pau' de agradecer por ser o 'salvo' quando tantos ao meu lado e em minha época não tiveram a mesma sorte.
Não creio em deuses ou almas, a não ser por licença poética e como sinônimo da enorme complexidade dos sistemas caóticos e emergentes da existência humana. Há uma certa satisfação em minha vida com a liberdade e a responsabilidade pela qual devo assumir as coisas boas e ruins que me aconteceram, ou que ainda irão me acontecer. Sem destino ou deuses não me sinto só ou perdido, mas livre e aberto as oportunidades e ao riso - ora comemorativo, ora como simples ironia - que transbordam em minha existência.
O ser humano não precisa de rédeas, ou freios. Viver por si só já impõe limites pela convivência e das horas que escapam por nossas mãos - quer gostemos ou não. Precisamos ser mais inteligentes e espontâneos, reconhecer a afinidade genética e históricas com todos, porque em um sentido muito próximo ao literal: uma só espécie, uma só família...
Jamais gostei da padronização cultural, das maiorias 'burras' que catalogam como falso ou errado tudo que elas se acostumaram a dizer e fazer como verdadeiro. Sempre duvidei de pessoas que abrem mão da razão e da base empírica ou experimenal para fazer afirmações e que estavam dispostas a lhe 'apedrejar' caso você não partilhasse a paixão por ser gado e ser guiado por pastores cegos e visionários sádicos. Somos pessoas, não cordeiros, ou lobos, ou qualquer outro animal sem um neocórtex que permita se responsabilizar e ponderar sobre os fatos.
Coitados dos animais que sacrificamos em nomes dos deuses. Pertencemos ao mundo animal, somos primatas, e isto nos coloca em algum ponto na árvore da vida; e nada mais. Se alguma entidade mágica ou divina tiver algo interessante para fazer, sugiro:
  1. devolva os dinossauros ao planeta Terra -seria bem interessante o resultado;
  2. ao invés de salvar esta ou aquela vida, seja inteligente e evite o acidente;
  3. limpe as águas dos oceanos e mares - não pela espécie humana, mas porque milhares de espécies irão se extinguir da linha da vida antes mesmo do ser humano conhecê-las;
  4. para de nos culpar pelos erros de nossos ancestrais;
  5. assuma que se o conhecimento é o pecado do mundo, então você é realmente um ser estúpido e ignorante;
  6. e, me responda diretamente, não envie assistentes sedentos de sangue para altar.

Mas como quem lê são apenas humanos, perdoe-me por meu desabafo. porque acho enfadonho, em pleno século XXI, lembrar que neste mundo há pessoas que não tem fé e não se curvam diante de forças invisíveis e que, por raras exceções não cometem crimes hediondos, não são pedófilos, não se entregam a orgias ou se deixam subornar nos sinais ou órgãos públicos.

Há gente honesta e agradável entre os que tem fé, e entre os que não possuem nenhum deus ou entidade para temer. Há alegria e tristeza, sucessos e fracassos, sol e chuva dos dois lados deste tema. E, por si só, isto me faz lembrar que opiniões e valores diferentes não são necessariamente bons ou maus, apenas em um contexto determinado podemos - com dificuldade e cheios de ressalvas - julgar a pertinência do que consideramos certo e errado.

E, se acaso, eu estiver errado, perdoem-me os deuses...mas ainda possuo o direito de pensar questões deste tipo e não ser excomungado ou banido por querer um mundo diferente.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Liberdade.

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A liberdade é nosso mais precioso bem. No entanto, defendo-a não por mero comodismo e jamais sem deixar de perceber nesta o enorme peso que é tê-la com responsabilidade e com consciência dos deveres que a mesma traz consigo. E, infelizmente, muitos pensam que exercer a liberdade é pintar o cabelo com cores chamativas, ou ter relações sexuais com qualquer pessoa sem pensar nas conseqüências, ou mesmo comprar o que quiser e utilizar seu status para impor medo ou autoridade aos menos abastados.
Por isso, me sinto envergonhado por ter que conviver com pessoas tão mesquinhas e fúteis, gente que pensa [se pensa em algo que valha a pena mencionar!] que seus músculos, ou seu carro maneiro e sua casa em um bairro nobre, ou sua 'fé', ou mesmo seu clube do coração justificam menosprezar e perseguir aqueles que fizeram outras escolhas. Lamento, sim eu lamento, que desfrutem uma liberdade que lutam para abolir por sua ignorância e visão estreita sobre o universo e de seu lugar neste planeta.
Liberdade não é comprar o que se deseja. É poder escolher comprar e usar esta escolha de modo responsável. Liberdade não é usar tatuagens ou usar roupas 'transadas' [da moda]. É se vestir de forma adequada aos lugares que se deseja frequentar, bem como se sentir bem com nos lugares que frequenta. Liberdade não é seguir uma religião. Mas sim se ter a opção de seguir ou não a religião de nossos familiares e amigos, porém jamais ser julgado melhor ou pior por esta opção. E, liberdade não é seguir a maioria o tempo todo. É, ocasionalmente, discordar e duvidar das tradições, escolhendo ter hábitos próprios e escolhas cheias de dúvidas e revisões. Enfim, liberdade não é ter carros, casas, ou seja o que for. Porque liberdade, é poder usar estas coisas para ajudar aos outros, para abrigar aos familiares e amigos, para doar e emprestar a quem precisa por necessidade urgente mais do que você, e ser inteligente o suficiente para não se destruir em drogas, ou vícios estúpidos, ou seguindo a manada [alguns chamam rebanho].
Ser livre implica em ter dúvidas e gostar delas. Exige questionar as autoridades de livros velhos e frases de efeito com perspicácia e sagacidade. Obriga-nos a pensar nas consequências e viver sem medo de deuses ou deusas e suas vaidades e ciumes, e sem se deixar subjugar pela vontade de líderes cegos e preconceituosos que defendem tradições obsoletas e questionáveis. Pois só se é realmente livre quando se tem dúvidas sobre os caminhos que escolhemos e as coisas que fazemos. Porque não há pior prisão ou loucura do que ter certezas demais sobre tudo e todos, inclusive sobre se a liberdade é desejável ou um valor inquestionável. E, apesar de tudo, com a voz trêmula e o suor no rosto, aceitar a liberdade de si e dos outros e o desejo de ser livre que ainda possuímos e juramos defender.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Sugestões à crise de uma pessoa comum.

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A crise financeira mundial é uma oportunidade de se revisar os modelos que não comportam a dimensão humana na tomada de decisões. E também, com os 'estranhos' fenômenos climáticos fora de época do Brasil e pelo mundo de se reavaliar as atitudes reais que empresas, ONGs e governos têm realizado quanto a questão ambiental. Parece, caro amigo ou amiga, que há algo de 'podre no reino da [...]. Bem como aqui também.
Apesar dos milhões gastos em programas de erradicação da fome e para o desenvolvimento sustentável, pouco de prático aconteceu. Além do mais, as enormes exigências feitas para concessão de crédito aos pobres, os milhares de organismos de combate a miséria e ao meio ambiente, tudo isto só contribui para aumento da corrupção e da falta de transparência. O prêmio Nobel da PAZ em 2002, M. Yunus, concorda em sua autobiografia comigo quanto a primeira parte. Porém, mais do que testemunhos de autoridades, sejam elas quem forem, basta olhar a Floresta da Tijuca - o que sobrou é lógico - ou a Baía de Guanabara, ou quem sabe as comunidades espalhadas pelo Brasil, que em um só instante uma pessoa comum questionaria as propaladas melhorias nas condições de vida em termos reais.
As melhorias, quando existem, são frutos das novas tecnologias e oportunidades criadas por seu uso e pelo avanço industrial no mundo todo. São reflexos de ciência e tecnologia, do empreendedorismo e colaboração dentro da própria sociedade que governos insistem em atribuir a si próprios, nunca aos cidadãos que todos os dias trabalham e lutam, perseveram e persistem em melhorar suas condições de vida. Governos que negam a corrupção gritante e medonha no sistemas de apoio social a meia dúzia de politicamente 'corretos', mas que não criam condições de subsistência real e livre a milhares.
Se o governo de qualquer pais industrializado ou em vias de industrialização quer colaborar e sanar a crise a reboque, aqui vão algumas sugestões de uma pessoa comum:
  1. reduzam os impostos diretos e indiretos a metade [no caso brasileiro IPI, ICMS, contribuições sociais etc.] de aparelhos e da mão-de-obra ocupados diretamente com a produção e comercialização de painéis solares, equipamentos para o uso da energia eólica e os equipamentos para pesquisas de energias 'alternativas' aos combustiveís fósseis;
  2. aumentem os impostos e multas para a poluição na ordem de 50,0 % ou mais, além de simplificar o processo jurídico de punição as fontes poluidoras públicas e/ou privadas;
  3. aumentem as bolsas de estudo e financiamento às pesquisas tecnológicas e científicas, permitindo que os beneficiados possuam outras fontes de rendas complementares sem que tenham que apelar a ilegalidade ou paralisar pesquisas promissoras por falta de renda própria;
  4. e, se for possível, reduzam as exigências legais para abrir empresas e a documentação para fechá-las ou vendê-las. Permita o empreendedorismo e puna com mais severidade e agilidade os crimes de estelionato e fraudes. Muito mais severidade!

E antes de me acusarem de ingenuidade, façam e monitorem os resultados em pequena escala em locais específicos como distritos ou cidades. Se os fatos, não os discursos, se mostrarem contrários a tais idéias, então me darei por vencido. Porém, e se não for assim? E se soluções simples e pragmáticas conseguirem reverter a situação, estarão os mesmos dispostos a AMPLIAR A BASE? Senhoras e senhores, façam suas apostas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Estratégia e mudança.

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As grandes corporações cada vez mais utilizam recursos humanos e materiais para a correta definição de suas estratégias, buscando a mudança 'certa' e antecipando o futuro. Mas, por mais que isto signifique um avanço a mentalidade de 'tudo como antes [...]', ainda assim insistem em erros de percepção e foco que precisam ser levados a sério. Primeiro, estratégia não é destino. Afinal, a adoção de estratégias é sempre contigencial, em meio a incertezas e riscos intrínsecos e extrínsecos à organização e/ou indivíduo. Logo, não há como de antemão definir a estratégia ótima, porque ao longo do processo surgem novas demandas e desafios que exigirão novas iniciativas e modelos. E, segundo, a mudança possui uma maior probabilidade de erro e perda do que a errônea idéia de 'mudança planejada' deseja afirmar.
Empresas como a Intel, a Toyota e Southwest Airlines; entre outras, possuem casos bem documentados de não possuírem um planejamento estratégico formalizado durante a gestão de alguns de seus CEOs mais famosos e, mesmo assim, possuírem uma 'postura estratégica' infinita vezes mais eficiente que seus concorrentes. Na verdade, a ênfase destas companhias não está sobre uma estratégia plenamente elaborada, mas sobre a preocupação com a implantação e execução, monitorando erros e novos desafios; e logo, tomando as iniciativas pontuais necessárias. Suas estratégias, utilizando um termo de Mintzberg, são emergentes - resultado das interação entre as empresas, os mercados e seus operadores.
Quanto a mudança, algumas poucas empresas possuem reputação de mudanças e inovação como filosofia. Entretanto, mesmo nestas o comum é que a serendipidade seja a norma. Tudo indica que saber aproveitar as oportunidades e ter a perspicácia de perceber entre os inúmeros fracassos aqueles que podem ser reaproveitados em um novo contexto, ou dos acertos aqueles que comercialmente serão bem sucedidos que está a gestão eficaz destas organizações.
A incerteza e a complexidade do mundo assustam os incautos e os mesmos buscam respostas fáceis e estratagemas organizados para justificar sucessos e fracassos. Porém, a realidade é que o futuro e o mercado são instáveis e não evoluem em ciclos, ou ondas, ou do jeito que imaginamos. Por isso, volta e meia a organização vista como de sucesso, fracassa. E o fracassado, dá a volta por cima. A coerência e consistência estratégica louvada hoje, amanhã é apenas teimosia e falta de visão. Porque mais do que falhas e acertos, a volatilidade é a regra.
Dê valor a estratégia, mas, por favor, leve a sério a implantação, o cotidiano e a qualidade das equipes. As decisões diárias possuem muito mais impacto do que planos de longo prazo, afinal uma analogia facilmente retirado da Teoria do Caos é que não existe planejamento de longo prazo. Embora exista um senso de urgência e sentido de direção que são essenciais às organizações e as equipes de trabalho.
Por extensão, não adote mudanças por modismo. A idéia de que mudar é necessário é uma má interpretação da Teoria da Evolução. As espécies que existem hoje são adaptadas ao seu meio, mas o acaso das mutações biológicas provocam milhares de mudanças ao longo do tempo, quase todas são são fracassos à sobrevivência dos indivíduos que compõem uma espécie. A Seleção Natural é um processo cumulativo, por isso nos fornece a falsa impressão de sentido e de finalidade. O mesmo se estende às empresas. A maioria das mudanças será para pior sim, apenas algumas poucas serão oportunas para um certo mercado e seu momento. Mudanças no mercado e na sua forma de estruturação são imprevisíveis a longo prazo e tornam rapidamente as 'adaptações' em desvantagens. Assim, como as espécies, os mercados surgem e somem em meio a complexidade e aleatoriedade do processo. E se não gostamos da idéia da incerteza e do risco imponderável, isto não muda nem o mercado nem as formas do jogo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Incentivos financeiros.

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Os incentivos financeiros são cada vez mais comuns nas organizações para aumentar a produtividade dos funcionários e maximizar a retenção de talentos. Entretanto, usados de forma geral provocam mais equívocos e erros do que benefícios às empresas, além de incentivar, em muitos casos, comportamentos indevidos tanto no campo legal, quanto ético. E, se sua organização, usa ou pensa em utilizar tais incentivos é preciso analisar o caso com cuidado, bem como as premissas por detrás de tal modelo.

Os incentivos financeiros possuem a premissa de que quanto maior o retorno financeiro, maior o desempenho dos profissionais. Mas tal premissa se equivoca em três situações:

  1. em primeiro lugar, mesmo com seu máximo esforço, um profissional de uma atividade complexa que não possua os recursos necessários [técnicas, métodos e conhecimentos da tarefa] não pode no curto prazo alavancar seu desempenho de forma consistente e duradoura- é preciso tempo para aprender uma tarefa com maestria [dados e pesquisas indicam que das artes à arquitetura, da engenharia à música, da cirurgia médica ao desenvolvimento de softwares; as profissões e especialidades complexas e técnicas, os profissionais levam cerca de 10 anos para atingir a excelência];
  2. em segundo lugar, se a infra-estrutura não estiver dimensionada adequadamente, estes incentivos aumentarão a frustração e o impacto será reduzido na produtividade do mesmo;
  3. e, por fim, existem várias evidências, de que tais incentivos somente possuem efeitos positivos em tarefas simples e individualizadas. Se a tarefa exigir colaboração e cooperação entre as partes, bem como houver várias variáveis extrínsecas; então os incentivos financeiros podem sugerir comportamentos predatórios e ilegais - o tipo de mensagem que deve ser evitado em organizações que procuram respeito a marca e se voltam ao longo prazo. Este tipo de incidente está fartamente documentado na área de vendas e nos recentes casos de fraudes em grandes companhias onde a alta direção passou a ter na compra de opções [participação nos retornos das ações] um incentivo para 'alterar' resultados indesejados.

Isto não torna os incentivos financeiros um mau negócio. apenas é preciso avaliar cada caso com cuidado, analisar que premissas são estabelecidas e quais mensagens são passadas na sua adoção. Outros benefícios como extensão aos familiares dos planos de saúde, creches e educação parcialmente ou totalmente pagas pela empresa, políticas de 'não demissão' por eventuais ventos de mercado; entre outras, são utilizadas em empresas como a Toyota, IDEO e Southwest Airlines pelo mundo com excelentes resultados na produtividade e qualidade, para não mencionar a rentabilidade. E, como já disse, nem nestas empresas, nem nas demais os incentivos financeiros são proibidos, apenas são usados com perspicácia e cuidado para não atrair o tipo errado de pessoas para as mesmas, ou incentivar práticas indesejáveis.